
Encontro-me aqui perdida entre o tempo passageiro da eternidade, o meu olhar tenta pescar o distante do meu pensamento...Sinto o vento bater-me na cara com leveza, de forma a massajar a pele com a brisa refrescante do Outuno...O carro está parado em frente a falésia, consigo ouvir o bater das ondas nas rochas, desenhando a sua elegância constante, deixando a marca da natureza no meu ouvido, faz-me pensar, faz-me sentir, faz-me amar.
A minha visão trespassa gerações de milhas pelo mar adentro, onde vejo a linha imaginária do horizonte...parece que é já ali, parece que acaba naquele ponto... a nostalgia que me percorre hoje é algo que ando permanentemente a esconder, escondo aquelas saudades que sinto, pela infância, pelo que era, pelo que fui, por ti e por mim....sobretudo pelo que sou quando estou contigo...
As horas passam, o dia já muda, passando de um sol radiante, para uma nublina escura, o carro começa a gelar, as ondas batem mais violentamente nas rochas, eu continuo imovel, hoje não consigo reagir, não consigo ser madura...refugiei-me na criança que existe dentro de mim, naquela menina ingénua que acreditava que o mundo era um algodão doce, onde cada vez que se come um bocadinho, existe um pequeno fechar de olhos para saborear e quanto mais se come, mais queremos comer...
Hoje deixo viver a infância, deixo-a voar pelo meu pensamento, fecho-me dentro de mim, recordo-me o que sou, recordo que por muito que o viver seja cruel eu sempre superei aquilo que me fazia mal...Antes acreditava no papão das bolachas, aquele mitico monstrinho das crianças...pois cada vez que se portão mal...lá vem o papão à noite...
Houve muitas noites em que fiquei com medo de ser "atacada" de noite, mas confesso que me dá saudades dos arrepios, das sombras dos bonecos, que pareciam ganhar vida de noite...
O tempo está a mudar, é incrivel constatar as mudanças temporais ao longo do dia, é como se nos quisesse mostrar que a vida também muda, passa rodopiando por nós, sempre a fugir, até que um dia acordamos...olhamos ao espelho e vemos um rosto envelhecido pelos sonhos que vivemos, pelos que deixamos de viver e pela vida cansativa de lutas pelas felicidade...
Vive com esperança de obteres o que te faz feliz, vive recordando o que foste, o que és e o que sempre te guiou, porque por muitas voltas que o mundo dê....Tu serás sempre aquilo que foste, que és e que desejas!!
Está de noite, ligo o motor do carro....faço uma pequena manobra, ponho-me à estrada....adeus Ericeira...e obrigado pelo sonho da recordação!!
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A Ericiera é a minha amante e também ela é minha inspiradora... Por isso, para mim esta é difícil...
ResponderEliminarDeixo para amanhã.
Nuno L.
Olá, cá estou eu outra vez!
ResponderEliminarQuando somos jovens tudo é possível, é quando podemos e devemos arriscar, é quando decidimos o que vamos ser e o que vamos fazer.
Os sonhos não tem limite e a força também não, não há medo... é possível errar e recomeçar, reiniciar, reconstruír, redefinir, e optar novamente. Este é o segredo e a beleza da juventude. Aproveita-a.
Meditar no que somos e redefinir as nossas metas é bom, pensar demasiado nisso impede-nos de viver... E a vida passa demasiado depressa...
Uma alma bonita tem mais virtudes que defeitos, vive (bem) a vida.
Nuno L.